E. F. Central do Brasil

(1922-anos 1930)

No Município de Buritizeiro-MG

O ramal de Pirapora, que saía da estação de Corinto, chegou em 1910 a Pirapora, às margens do rio São Francisco, mas para curzar o rio através de uma ponte ferroviária, levou 12 anos, quando foi inaugurada a estação de Independência (Buritizeiro) na margem oposta. Nessa época, o trecho fazia parte da Linha do Centro da Central do Brasil. Nos anos 1930, entretanto, com a maior afluência de tráfego na linha para Monte Azul, esta passou a ser parte do tronco e o trecho Corinto-Pirapora passou a ser apenas um ramal. Na mesma época, Buritizeiro foi desativada, junto com a ponte sobre o São Francisco. O ramal nunca passou dali, ao contrário dos planos de 1922, que pretendiam chegar a Belem do Pará. No final dos anos 1970, o tráfego de passageiros foi desativado no trecho. A linha permanece ativa até hoje (2003), pelo menos oficialmente. Ainda há trilhos sobre a ponte do São Francisco…

A Estação

A estação de Independência foi aberta em 1922 e recebeu o nome como homenagem ao centenário da Independência do Brasil, comemorada nesse ano. A estação foi inaugurada juntamente com a grande ponte ferroviária sobre o rio São Francisco. Fazendo parte da linha do Centro na época, era a última estação, a terminal, mais de mil quilômetros distante do Rio de Janeiro. Era também a primeira estação além do grande rio, o Velho Chico. Dali deveria seguir a linha para Belém do Pará, como previa Max Vasconcellos, em seu livro As Vias Brasileiras de Comunicação, em 1928: “Aqui, onde a vastidão deste cenário e a imponência deste rio dão a visão suntuosa da grandeza do Brasil, termina a Linha do Centro. Em futuro que não poderá estar muito afastado, os 2.547 km que medeiam entre a ponta dos trilhos e a ciade de Belém, no Pará, estarão cobertos pelos dois fios de aço que encurtam as distâncias e solidificam a integridade das nações de território vasto. E entre silvos sonoros e vitoriosos, a alegre locomotiva irá buscar em 3 dias os nossos irmãos do norte, que hoje levam 15, a chegar à capital do seu País“. Mais tarde, o
prolongamento não veio, a ponte virou rodoviária sem que lhe tirassem os trilhos, o nome foi alterado para o do distrito à qual pertencia – Buritizeiro – que finalmente se tornou município autônomo. A estação foi desativada já nos anos 1930, os trens não cruzavam mais a majestosa ponte, a linha já não era mais a tronco da Central, mas simplesmente o ramal de Pirapora. “A linha, ao cruzar o rio, seguiria para o norte via Formosa e teria um ramal para Patos. Com base em cartas de navegação da USAF dos anos 40, vê-se que a linha foi aberta até um lugar denominado Paredão de Minas. Em Pirapora, entrevistei pessoas que me garantiram que a linha foi estendida até lá. Alguns pilotos também dizem isto. O fato é que não encontrei documentos da Central sobre a operação da linha, apenas da construção. Na estação, a plataforma é revestida de ladrilhos amarelos, e ainda há linhas no pátio, mas encobertas pela areia do rio São Francisco. ” (Pedro Paulo Resende, 2003) “Quando estive lá, por volta de 1990, a estação de Buritizeiro ainda estava de pé. Aquela ponte é uma comédia. Hoje é utilizada para tráfego rodoviário, porém devido à estreiteza só passam veiculos em uma mão por vez. O absurdo reside no fato de que eu não sei como aquela ponte chegou a suportar material ferroviário, já que toda vez que um carro passava a ponte sacolejava tanto que eu parava de andar de puro medo.” (Nicholas Burman, 04/2003). O conjunto de dois prédios estação e armazém ainda estavam de pé em 2009, mas totalmente abandonados. Ficam numa área isolada da cidade, e chegou a ser um centro cultural nos anos 1990, mas voltou a ser abandonado. “A estação está abandonada. Fica aproximadamente a 1.500 m da ponte sobre o São Francisco. A plataforma é bem comprida. Fica em uma área deserta junto ao núcleo central da cidade. A ponte é engraçada: apesar dos (muitos) anos em que o trem não passa, os trilhos ainda estão lá. Não há controle de sentido de direção. O motorista mete a cara e seja o que Deus quiser. O segredo é encaixar as rodas entre os trilhos. Pra quem não está acostumado dá um frio na barriga pois as tábuas estão soltas e um descuido o carro cai no estrado da ponte. Vira e mexe algum carro cai. As prefeituras ainda estudam reativar as guaritas existentes em cada ponta” (Rodrigo Cabredo, 08/2005).